50% (50/50 - 2011)


Acredito que uma das produções mais inusitadas e agradáveis que já assisti “50%” fala de doença sem ser piegas, fala de juventude e dignidade sem nunca utilizar os lugares comuns inerentes a esses temas e consegue ser ao mesmo tempo comédia e drama. Seu personagem principal é Adam (Joseph Gordon-Levitt), um jovem jornalista que descobre possuir um tipo raro de câncer na espinha e têm então de lidar com as conseqüências dessa descoberta, no campo físico, emocional, conjugal e familiar. Adam é um jovem normal e aparentemente saudável, têm um melhor amigo legal e uma namorada bonita e já é independente financeiramente. É esperado, portanto, que a noticia da doença lhe deixe tão perplexo a ponto de ele se fechar para a real proporção do que está vivendo.

A direção de Jonathan Levine é muito solidária nesse ponto, mostrando as repercussões de tal acontecimento na vida de uma pessoa de uma maneira tolerável. Logo, o filme não mostra a carnificina real de um câncer grave, apenas um pouco de suas manifestações. Adam tenta não deixar em nenhum momento a peteca cair, mas em dado momento ele se vê obrigado a encarar suas possibilidades, sobretudo quando atingido pela inexperiência de sua terapeuta Katie (Anna Kendrick), que apesar da falta de tato consegue atingi-lo em cheio com sua doçura.

Há muita coisa preciosa em “50%” e muitas delas são feitas com sutileza de detalhes. A relação de Adam com a mãe (vivida por Angélica Huston) é ilustrativa desse zelo pelos personagens: o rapaz só passa a permiti-la e sua vida quando consegue entender o conjunto da situação, já que além de ter que lidar com o fato de ter um filho com câncer ela ainda tem de cuidar de um marido com Alzheimer e que permanece alheio para a situação em grande parte da trama. O melhor amigo de Adam, Kyle (Seth Rogen) é uma figura que foge do estereotipo de amigo que estamos acostumados a ver na maioria dos filmes. Ele dá suporte para Adam, mas da sua maneira, o que geralmente não significa conselhos ou as melhores palavras para serem ditas: “Você vai ficar bem. Tem uma porção de gente famosa que enfrentou o câncer. Lance Armstrong, o cara do Dexter, estão bem. Patrick Swayze, está bem”.  Vale à pena conferir “50%”, principalmente por sua leveza e por não fazer com que a doença suplante o carisma de seus personagens. Vale por Joseph Gordon-Levitt que é um dos bons atores de nossa geração e encara a tarefa de interpretar Adam de uma maneira comedida, mas ainda sim contagiante. 

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